Esparceta – onobrychis vicaefolia

Gostou! Deseja adquirir sementes, pode encomendar Aqui

A esparceta (Onobrychis viciifolia), também conhecida como sanfeno ou sainfoin, é uma leguminosa forrageira perene muito interessante, sobretudo para produção de forragem, feno, pastagem, cobertura do solo e melhoria da fertilidade. É uma espécie que merece bastante atenção  porque combina rusticidade, sistema radicular profundo e tolerância à seca.

É uma planta ereta, podendo atingir aproximadamente 80 cm, com uma raiz principal profunda que contribui para a sua tolerância à seca. As folhas são compostas e as flores aparecem em inflorescências alongadas, normalmente rosadas ou rosa-avermelhadas.

Porque é uma espécie interessante?

A esparceta distingue-se de muitas outras leguminosas forrageiras pela combinação de:

  •  Perene
  •  Boa adaptação a condições secas
  •  Excelente planta forrageira
  •  Muito apreciada pelos animais
  •  Muito atrativa para abelhas
  •  Fixa azoto atmosférico
  •  Pode ser utilizada como cultura de cobertura
  •  Sistema radicular profundo
  •  Adaptação a solos relativamente pobres
  •  Particularmente interessante para ruminantes

Além disso, contém taninos condensados, que podem reduzir o risco de timpanismo nos ruminantes e influenciar positivamente a utilização das proteínas da forragem.

Sementeira

A esparceta deve ser semeada num terreno bem preparado, sem excesso de infestantes.

A semente deve ficar relativamente próxima da superfície.

Profundidade

1–2 cm é uma boa referência.

Em solos pesados ou muito húmidos, evitar sementeiras profundas.

Época de sementeira em Portugal

De forma geral:

Outono: setembro–novembro
Primavera: fevereiro–abril

Nas regiões mediterrânicas, a sementeira de outono pode ser particularmente interessante porque permite aproveitar a humidade das chuvas de inverno.

No entanto, em locais onde os invernos são muito húmidos ou frios, pode ser preferível optar pelo final do inverno/início da primavera.

Germinação

A germinação ocorre melhor com temperaturas moderadas e humidade suficiente.

Uma das vantagens da esparceta é que, uma vez estabelecida, desenvolve um sistema radicular profundo.

Durante a germinação:

  • manter o solo húmido;
  • evitar encharcamento;
  • não deixar o solo secar completamente;
  • evitar formar uma crosta superficial muito compacta.

Como se trata de uma semente relativamente grande comparada com a de muitas outras leguminosas, é fácil obter uma boa emergência quando o terreno está bem preparado.

Solo

Prefere solos:

  • bem drenados;
  • profundos;
  • de textura média;
  • calcários ou neutros;
  • com boa disponibilidade de cálcio.

É uma espécie especialmente interessante em terrenos onde outras leguminosas forrageiras podem apresentar dificuldades.

Não gosta de:

  • solos permanentemente encharcados;
  • terrenos muito ácidos;
  • compactação excessiva.

pH

Como referência, prefere aproximadamente:

pH 6,0–8,0

e apresenta boa adaptação a solos calcários.

Exposição

Sol pleno.

Quanto maior a exposição solar, melhor será normalmente o desenvolvimento.

É uma espécie particularmente adequada para regiões com bastante luminosidade.

Rega

Depois de estabelecida, apresenta boa tolerância à seca, graças ao seu sistema radicular profundo.

Em cultivo de sequeiro, esta característica é uma das suas principais vantagens.

Durante a instalação da cultura, contudo, é importante existir humidade suficiente para permitir uma boa emergência e desenvolvimento das plantas jovens.

Em regiões mediterrânicas, a disponibilidade de água durante o primeiro período de crescimento é especialmente importante.

Fixação de azoto

Tal como outras leguminosas, a esparceta estabelece uma associação com bactérias do género Rhizobium, formando nódulos nas raízes.

Estas bactérias permitem à planta utilizar o azoto atmosférico, reduzindo a necessidade de fertilização azotada.

Por isso, a cultura pode contribuir para melhorar a fertilidade do solo e é interessante em rotações agrícolas.

Produção de forragem

Esta é provavelmente a utilização mais importante da esparceta.

Pode ser utilizada para:

  • pastagem;
  • feno;
  • forragem verde;
  • silagem;
  • misturas com gramíneas.

É bastante palatável para bovinos, ovinos e outros ruminantes.

A produção pode variar bastante conforme o clima, solo, variedade, disponibilidade de água e ano de instalação.

Alimentação animal

A esparceta é particularmente interessante para:

  • Ovinos;
  • Caprinos;
  • Bovinos;
  • Equinos, dependendo do sistema alimentar;
  • Outros animais herbívoros.

A sua composição apresenta um teor considerável de proteína e minerais. A forragem fresca apresenta em média cerca de 16,9% de proteína bruta na matéria seca, embora os valores variem conforme a fase de crescimento e condições de cultivo.

Uma vantagem importante: taninos

A esparceta contém taninos condensados, normalmente na ordem de alguns pontos percentuais da matéria seca.

Estes compostos são particularmente interessantes na alimentação de ruminantes porque podem:

  • reduzir o risco de timpanismo;
  • alterar a degradação das proteínas no rúmen;
  • melhorar a utilização de determinados nutrientes;
  • reduzir algumas perdas de azoto;
  • contribuir para menores emissões de metano em determinadas condições.

É uma característica que diferencia a esparceta de muitas outras leguminosas forrageiras.

Floração

Produz flores agrupadas em inflorescências verticais, geralmente de tonalidade rosa ou rosa-avermelhada.

A floração é muito interessante para os polinizadores.

Pode apresentar períodos de floração na primavera e novamente no outono, dependendo das condições e do manejo.

Excelente planta melífera

As flores são atrativas para abelhas e outros insetos polinizadores.

Uma área de esparceta em floração pode ser bastante interessante para aumentar a disponibilidade de recursos alimentares para os polinizadores.

Por isso, além do interesse agrícola, também pode ter interesse em:

  • explorações apícolas;
  • prados biodiversos;
  • agricultura regenerativa;
  • sistemas agroecológicos.

Cultura de cobertura e melhoria do solo

A esparceta também pode ser utilizada como cultura de cobertura.

A sua raiz profunda ajuda a explorar camadas do solo que outras plantas utilizam menos.

Pode contribuir para:

  • proteção do solo;
  • redução da erosão;
  • aumento da matéria orgânica;
  • fixação de azoto;
  • melhoria da fertilidade;
  • diversificação das rotações.

A espécie é referida como adequada para utilização como adubo verde e cultura de cobertura, inclusive em zonas sujeitas a erosão.

Corte

O momento do corte é importante.

À medida que a planta envelhece e avança para a maturidade, a qualidade nutritiva da forragem tende a diminuir. Assim, existe um compromisso entre quantidade de matéria seca produzida e qualidade da forragem.

Para produção de feno de qualidade, o corte deve ser programado antes de a planta estar demasiado madura.

Pastoreio

Embora seja uma excelente forrageira, a esparceta não suporta bem um pastoreio contínuo e excessivamente intenso.

Um sistema rotacional é geralmente mais adequado.

Uma estratégia possível é utilizar o primeiro crescimento para produção de feno e permitir posteriormente o aproveitamento pelo gado do rebrote, desde que o sistema de exploração seja ajustado à região e à cultura.

Recomendações por região

 Norte

Pode ser cultivada, mas deve ser escolhida uma parcela bem drenada.

Em zonas muito húmidas, evitar solos pesados e encharcados.

A sementeira de primavera pode ser interessante em zonas com inverno muito chuvoso.

 Centro

Apresenta boas possibilidades, sobretudo em terrenos bem drenados e com pH neutro a alcalino.

Pode ser interessante para produção de feno e pastagem.

 Lisboa e Vale do Tejo

Boa adaptação, especialmente em terrenos profundos e bem drenados.

A sementeira de outono permite aproveitar a precipitação invernal.

 Alentejo

Região particularmente interessante.

A tolerância à seca e o sistema radicular profundo tornam a esparceta interessante para sistemas de sequeiro, desde que a precipitação anual e as características do solo sejam adequadas.

 Algarve

Pode ser cultivada, sobretudo em zonas com maior disponibilidade de solo e humidade durante o inverno.

No Algarve mais seco, o estabelecimento da cultura é a fase mais crítica.

A sementeira de outono é preferível quando é possível aproveitar as chuvas.

 Açores

Pode desenvolver-se, mas a elevada humidade torna indispensável escolher solos com boa drenagem.

 Madeira

Pode ser cultivada em determinadas condições, principalmente em zonas onde exista terreno adequado e boa drenagem.

Pragas e problemas

Os principais problemas estão normalmente associados a:

  • excesso de humidade;
  • solos mal drenados;
  • compactação;
  • competição com infestantes durante o estabelecimento;
  • pastoreio excessivo.

Uma boa preparação do terreno e uma gestão adequada do pastoreio são fundamentais.

Rotação de culturas

É uma espécie interessante para integrar em rotações porque, sendo uma leguminosa, pode contribuir para o balanço de azoto do sistema.

Pode ser combinada ou suceder a culturas cerealíferas, dependendo do sistema agrícola.

Também pode ser cultivada em mistura com determinadas gramíneas para produção de forragem.

Principais vantagens

Leguminosa perene
✔ Boa resistência à seca
✔ Sistema radicular profundo
✔ Fixadora de azoto
✔ Excelente forragem
✔ Muito apreciada pelos ruminantes
✔ Adequada para produção de feno
✔ Interessante para pastagem
✔ Atrativa para abelhas
✔ Ajuda a proteger o solo
✔ Pode ser utilizada em rotações
✔ Boa opção para regiões mediterrânicas

https://algarsementes.com


0