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A Medicago arborea L. é uma leguminosa perene e arbustiva da família Fabaceae. Apesar do nome "luzerna", é muito diferente da luzerna comum (Medicago sativa).
É uma espécie mediterrânica, nativa do sul da Europa até à Turquia, incluindo Espanha, Itália, Grécia, Sicília, Sardenha e Baleares.
Porte
Ao contrário da luzerna convencional, que é uma herbácea baixa, a Medicago arborea forma um arbusto lenhoso, podendo atingir aproximadamente 1–2 metros de altura, dependendo das condições.
Pode formar uma planta bastante densa e ramificada.
Flores amarelas
Uma das características mais bonitas são as suas flores amarelas, produzidas em grupos.
A floração confere-lhe interesse não apenas como planta forrageira, mas também como planta ornamental e para biodiversidade.
Como pertence às Fabaceae, possui a típica flor papilionácea das leguminosas.
Uma planta muito adaptada ao clima mediterrânico
A Medicago arborea está naturalmente adaptada a climas mediterrânicos, com verões quentes e secos e períodos de chuva concentrados sobretudo na estação mais fresca.
Por isso, pode ser interessante para:
- zonas secas;
- terrenos pobres;
- áreas costeiras;
- zonas sujeitas a vento;
- recuperação de terrenos;
- pastagens extensivas;
- alimentação animal.
É uma espécie muito mais adequada a um clima mediterrânico do que muitas leguminosas de origem temperada.
Solo
Não necessita de um solo extremamente fértil para sobreviver.
Prefere:
- solos bem drenados;
- locais ensolarados;
- terrenos calcários ou neutros;
- solos relativamente pobres;
- terrenos onde não exista encharcamento.
O excesso de água é muito mais problemático do que a falta de fertilidade.
Isto torna-a particularmente interessante para determinadas zonas do Alentejo e Algarve.
Resistência à seca
A Medicago arborea é uma espécie interessante para condições de baixa disponibilidade de água, sobretudo depois de estar estabelecida.
Contudo, há uma diferença importante: resistente à seca não significa que não necessite de água durante a instalação.
Nos primeiros meses após a plantação, uma rega de apoio pode acelerar bastante o desenvolvimento.
Depois de estabelecida, a planta consegue suportar períodos secos muito melhor.
Utilização como forragem
Este é um dos aspetos mais importantes da espécie.
A Medicago arborea é utilizada como planta forrageira, especialmente em sistemas mediterrânicos e extensivos.
As folhas e ramos jovens podem ser aproveitados para alimentação animal.
Por ser perene e arbustiva, apresenta uma vantagem relativamente às forrageiras anuais: permanece no terreno durante vários anos e pode continuar a fornecer biomassa.
É importante, contudo, não confundir esta espécie com a luzerna comum (Medicago sativa), que é uma cultura forrageira de produção muito mais intensiva.
Como leguminosa, fixa azoto
Tal como outras espécies de Medicago, estabelece uma associação com bactérias rizobianas nas raízes, permitindo a fixação biológica de azoto atmosférico.
Isto significa que pode contribuir para:
- melhorar a fertilidade do solo;
- incorporar azoto no sistema;
- aumentar a matéria orgânica;
- proteger o solo contra erosão;
- integrar sistemas agroflorestais.
Por isso, pode ter interesse não apenas como forragem, mas também em agricultura regenerativa e recuperação de terrenos.
Muito interessante para controlo da erosão
Por formar uma estrutura arbustiva permanente, pode ajudar a proteger o solo contra a erosão, especialmente em terrenos inclinados.
Em regiões mediterrânicas, isto pode ser bastante interessante.
Eu apresentaria esta utilização com cuidado: é uma espécie que pode contribuir para a proteção do solo, mas não deve ser considerada uma solução universal para controlo da erosão.
Interesse para polinizadores
A floração amarela pode atrair insetos polinizadores.
Como acontece com outras leguminosas, as flores fornecem recursos florais e tornam a planta interessante para jardins de biodiversidade e sistemas agroecológicos.
Sementeira
A propagação é normalmente feita por sementes.
As sementes de leguminosas podem apresentar tegumento relativamente duro, pelo que uma escarificação ligeira pode ajudar a acelerar e uniformizar a germinação.
Pode utilizar-se:
- lixa fina;
- água morna;
- ou outro método suave de quebra de dormência.
Não convém danificar o embrião.
Temperatura
Para uma sementeira prática, eu trabalharia aproximadamente na faixa de:
18–25 °C
com substrato bem drenado.
A germinação pode ser relativamente irregular se as sementes não forem previamente tratadas .
Espaçamento
Como se trata de um arbusto perene, não deve ser semeado com o mesmo espaçamento utilizado para uma luzerna convencional.
Para plantas destinadas a desenvolver-se livremente, eu consideraria aproximadamente:
1–1,5 m entre plantas
e mais espaço quando o objetivo for produzir exemplares grandes.
Para uma sebe ou plantação mais densa, o espaçamento pode ser reduzido.
Poda
Tolera poda e pode ser mantida com uma forma mais compacta.
Uma poda ligeira depois da floração pode ajudar a:
- estimular ramificação;
- controlar o tamanho;
- renovar a planta;
- produzir material jovem.
Não recomendaria cortar excessivamente plantas jovens.
Cultivo nas regiões de Portugal
Aqui penso que a adaptação regional é particularmente importante.
Norte
Pode ser cultivada, mas escolheria locais muito bem drenados e ensolarados.
Nas zonas mais húmidas e frias, o excesso de água pode ser mais problemático.
Centro
Boa possibilidade em terrenos secos, ensolarados e com drenagem adequada.
Nas zonas interiores frias, convém proteger plantas muito jovens de geadas fortes.
Lisboa e Vale do Tejo
Boa região para esta espécie.
Sol, solos drenados e clima mediterrânico proporcionam condições favoráveis.
Alentejo
Muito interessante.
Pode ser utilizada em sistemas extensivos e terrenos onde a água disponível seja limitada.
A rega durante a instalação será importante, mas uma planta adulta pode suportar períodos secos.
Algarve
Provavelmente uma das regiões portuguesas mais adequadas.
A combinação de:
- temperaturas elevadas;
- verão seco;
- clima mediterrânico;
- solos muitas vezes calcários;
- elevada exposição solar
é muito favorável.
Em terrenos de sequeiro, a escolha de um local com boa retenção de humidade no subsolo pode fazer diferença.
Açores
É possível cultivar, mas o clima mais húmido exige atenção especial à drenagem.
Não escolheria terrenos permanentemente encharcados.
Madeira
Pode desenvolver-se bem em zonas de clima mediterrânico ou subtropical seco, especialmente em locais ensolarados e bem drenados.