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O Cará-moela (Dioscorea bulbifera) é uma planta trepadeira perene pertencente à família Dioscoreaceae, a mesma família de outras espécies conhecidas como inhames e carás.
É uma planta muito particular devido à capacidade de produzir bulbilhos ou tubérculos aéreos ao longo dos caules. Estes órgãos de reserva desenvolvem-se acima do solo e podem ser utilizados tanto para propagação como, em determinadas variedades, para alimentação.
É conhecida por vários nomes populares, incluindo cará-moela, inhame-aéreo, inhame-de-ar, batata-do-ar e air potato.
Origem
A origem exata da espécie é complexa e existe alguma discussão botânica, mas é geralmente associada às regiões tropicais da Ásia e de África.
Atualmente encontra-se naturalizada em muitas regiões tropicais e subtropicais do mundo.
Em algumas áreas, particularmente nos Estados Unidos, tornou-se uma planta invasora devido à sua enorme capacidade de propagação através dos tubérculos aéreos.
Características da planta
É uma trepadeira vigorosa, capaz de crescer rapidamente e utilizar árvores, cercas e suportes para subir.
Os caules podem atingir:
- 10 metros ou mais de comprimento em condições favoráveis.
A planta perde parte da vegetação em períodos de menor disponibilidade de água ou temperaturas mais baixas, podendo rebrotar posteriormente a partir dos órgãos subterrâneos.
Folhas
As folhas são:
- grandes;
- verdes;
- inteiras;
- geralmente em forma de coração;
- alternadas ao longo dos caules.
Podem atingir aproximadamente:
- 10 a 20 cm de comprimento.
A folhagem forma uma cobertura bastante densa.
Tubérculos aéreos
A principal característica da espécie são os bulbilhos aéreos.
Estes desenvolvem-se nas axilas das folhas e podem apresentar formas variadas:
- arredondadas;
- ovais;
- alongadas;
- irregulares.
Podem pesar desde algumas dezenas de gramas até mais de 1 kg, dependendo da variedade e das condições de cultivo.
A sua aparência lembra frequentemente uma pequena batata ou uma moela, dando origem ao nome popular cará-moela.
Tubérculo subterrâneo
Além dos tubérculos aéreos, a planta também pode desenvolver um tubérculo subterrâneo.
Este pode atingir dimensões consideráveis e funciona como órgão de reserva, permitindo que a planta sobreviva a períodos desfavoráveis.
Flores
A floração é pouco significativa do ponto de vista ornamental.
As flores são geralmente pequenas e pouco vistosas.
A espécie pode apresentar plantas masculinas e femininas separadas, embora a reprodução por sementes tenha menor importância na propagação agrícola do que a multiplicação através dos tubérculos aéreos.
Reprodução
A planta possui uma extraordinária capacidade de propagação vegetativa.
Os novos indivíduos podem surgir a partir de:
- tubérculos aéreos;
- fragmentos de tubérculos;
- tubérculos subterrâneos.
Quando um tubérculo aéreo cai no solo, pode facilmente desenvolver raízes e originar uma nova planta.
Clima
Prefere:
- clima tropical;
- clima subtropical;
- regiões quentes e húmidas.
A temperatura ideal para o crescimento situa-se aproximadamente entre:
- 20 °C e 30 °C.
É sensível às geadas.
Em regiões de clima mediterrânico, como o Algarve, pode ser cultivada durante a estação quente, mas poderá perder a parte aérea durante o inverno.
Solo
Prefere solos:
- profundos;
- férteis;
- ricos em matéria orgânica;
- bem drenados.
O pH ideal situa-se aproximadamente entre:
- 5,5 e 7,0.
Embora tolere alguma seca, desenvolve-se melhor quando existe humidade suficiente durante o período de crescimento.
Como plantar
A forma mais simples de propagação é através dos tubérculos aéreos.
Devem ser plantados:
- na primavera;
- depois de passar o risco de geadas.
Os tubérculos podem ser colocados:
- a cerca de 5 a 10 cm de profundidade.
Quando o clima é quente, começam rapidamente a emitir rebentos.
Suporte
É indispensável fornecer um suporte resistente.
Pode utilizar-se:
- treliça;
- pérgola;
- arame;
- rede;
- árvores de suporte.
Como é uma planta muito vigorosa, necessita de uma estrutura capaz de suportar o peso da vegetação e dos tubérculos.
Espaçamento
Recomenda-se deixar:
- 1 a 2 metros entre plantas,
dependendo do sistema de cultivo e do suporte utilizado.
Rega
Durante o período de crescimento necessita de:
- regas regulares;
- humidade constante no solo.
Não tolera bem o encharcamento.
A rega pode ser reduzida quando a planta entra em dormência.
Fertilização
Beneficia de solos ricos em matéria orgânica.
Recomenda-se utilizar:
- composto;
- estrume bem curtido;
- fertilizante equilibrado.
O fornecimento adequado de potássio pode favorecer a formação de tubérculos.
Colheita
Os tubérculos aéreos podem ser colhidos quando atingem o tamanho desejado ou quando começam a amadurecer.
Os tubérculos destinados à propagação devem ser deixados na planta até atingirem maturidade completa.
Os tubérculos subterrâneos são normalmente colhidos quando a parte aérea começa a secar.
Utilização alimentar
Os tubérculos de algumas variedades são utilizados como alimento.
Podem ser:
- cozidos;
- assados;
- fritos;
- utilizados em sopas;
- preparados como outros tubérculos ricos em amido.
No entanto, nem todos os tipos de Dioscorea bulbifera apresentam a mesma qualidade alimentar.
Algumas variedades podem conter compostos amargos ou irritantes e necessitam de processamento adequado antes do consumo.
Por este motivo, é importante utilizar apenas material vegetal de origem conhecida e variedade reconhecidamente comestível.
Nunca se deve consumir um tubérculo selvagem ou de origem desconhecida apenas por ser identificado como Dioscorea bulbifera.
Valor nutricional
As variedades alimentares são geralmente ricas em:
- amido;
- hidratos de carbono;
- fibras;
- potássio;
- alguns minerais.
O valor nutricional varia bastante de acordo com a variedade e as condições de cultivo.
Pragas e doenças
Pode ser afetada por:
- nemátodes;
- cochonilhas;
- pulgões;
- ácaros.
Entre as doenças podem ocorrer:
- podridões dos tubérculos;
- manchas foliares;
- doenças fúngicas.
A boa drenagem é fundamental para evitar podridões.
Potencial invasor
Este é um dos aspetos mais importantes desta espécie.
O Dioscorea bulbifera pode tornar-se extremamente invasivo em determinadas regiões.
Os tubérculos aéreos caem facilmente ao solo e cada um pode originar uma nova planta.
Por isso, em zonas onde a espécie é considerada invasora, recomenda-se:
- não deixar tubérculos cair no solo;
- recolher os bulbilhos;
- impedir a dispersão para áreas naturais.
Antes de cultivar esta espécie, deve verificar-se a legislação e o estatuto da planta na região onde será plantada.
Cultivo em Portugal
Em Portugal, o cultivo deve ser feito com precaução.
No Algarve, devido ao clima quente, a planta pode desenvolver-se vigorosamente durante a primavera e o verão.
Em regiões com inverno frio, a parte aérea pode secar, mas os órgãos subterrâneos podem permanecer vivos.
Por ser uma espécie com grande capacidade de propagação vegetativa, recomenda-se cultivá-la apenas em locais onde seja possível controlar a dispersão dos tubérculos aéreos.
Curiosidades
O nome Dioscorea foi atribuído em homenagem ao médico e botânico grego Dioscórides.
A espécie é particularmente interessante porque consegue produzir estruturas de propagação acima do solo, algo pouco comum entre plantas alimentares.
Os tubérculos aéreos podem apresentar formas extremamente variadas, tornando algumas variedades também interessantes para colecionadores de plantas exóticas.