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O Fruto-do-Monge (Siraitia grosvenorii), também conhecido internacionalmente como Monk Fruit ou Luo Han Guo, é uma planta trepadeira perene pertencente à família Cucurbitaceae, a mesma família da abóbora, do pepino, do melão e da melancia. É uma espécie originária do sul da China, onde é cultivada há vários séculos devido ao valor alimentar dos seus frutos e à sua importância na tradição agrícola local. Atualmente é conhecida em todo o mundo sobretudo por produzir um fruto naturalmente muito doce, utilizado na produção de adoçantes de origem vegetal.
Durante muitos anos esta planta foi classificada com o nome científico Momordica grosvenorii, designação que ainda aparece em livros antigos, catálogos de sementes e alguns artigos científicos. No entanto, estudos botânicos mais recentes levaram à sua reclassificação, sendo atualmente aceite o nome Siraitia grosvenorii, que é o utilizado pela comunidade científica.
A origem do Fruto-do-Monge encontra-se nas montanhas das províncias chinesas de Guangxi, Guangdong e Guizhou, regiões de clima subtropical onde esta planta cresce em encostas húmidas e florestas montanhosas. Acredita-se que seja cultivada há cerca de 800 anos. O nome "Fruto-do-Monge" deriva da tradição segundo a qual monges budistas foram dos primeiros a cultivar esta espécie, contribuindo para a sua conservação e seleção ao longo dos séculos.
Botanicamente, o Siraitia grosvenorii é uma planta trepadeira vigorosa que pode ultrapassar os cinco metros de comprimento quando encontra boas condições de cultivo. Desenvolve caules finos e flexíveis, providos de gavinhas que lhe permitem fixar-se facilmente a suportes naturais ou artificiais. Por esta razão, é normalmente cultivada em pérgulas, redes ou sistemas de arames semelhantes aos utilizados para o cultivo do maracujá ou do pepino.
As folhas são grandes, de cor verde intensa, com formato geralmente cordiforme, ou seja, em forma de coração. Apresentam nervuras bem marcadas e uma textura ligeiramente rugosa, formando uma vegetação densa que cobre rapidamente a estrutura de suporte.
As flores são pequenas e de coloração amarelo-esverdeada. Tal como acontece com muitas outras espécies da família das cucurbitáceas, a planta produz flores masculinas e femininas. A polinização é efetuada principalmente por insetos, sendo fundamental para a formação dos frutos. Em cultivo protegido, como estufas, pode ser necessário recorrer à polinização manual caso exista pouca atividade de polinizadores.
O fruto apresenta forma arredondada ou ligeiramente oval e mede normalmente entre cinco e oito centímetros de diâmetro. Quando amadurece adquire uma coloração verde-acastanhada e, após a secagem, torna-se castanho-escuro. No seu interior encontra-se uma polpa fina que envolve numerosas sementes de cor castanha.
A principal característica do Fruto-do-Monge é o seu extraordinário poder adoçante. Ao contrário da maioria dos frutos doces, a intensidade do sabor não resulta da elevada concentração de açúcares, mas sim da presença de compostos naturais designados mogrosídeos. Entre eles destaca-se o mogrosídeo V, responsável pela maior parte do sabor doce característico. Estes compostos são utilizados na produção de extratos destinados à indústria alimentar como adoçantes de origem vegetal.
O Fruto-do-Monge desenvolve-se melhor em climas subtropicais, preferindo temperaturas compreendidas entre os 20 °C e os 30 °C. Necessita de verões longos e quentes para completar o seu ciclo de desenvolvimento e não tolera geadas intensas. Em Portugal poderá adaptar-se melhor às regiões mais quentes, como o Algarve, parte do Alentejo litoral, Madeira e algumas zonas dos Açores. Nas restantes regiões poderá beneficiar do cultivo em estufa ou em locais protegidos do frio.
Quanto ao solo, prefere terrenos profundos, férteis, ricos em matéria orgânica e muito bem drenados. O pH ideal situa-se entre 6,0 e 7,0. Solos compactados ou sujeitos a encharcamentos prolongados prejudicam o desenvolvimento das raízes e aumentam o risco de doenças.
A propagação faz-se habitualmente por sementes, embora também possa ser realizada por estacas em condições controladas. As sementes apresentam uma germinação relativamente lenta e irregular. Para melhorar a taxa de germinação, recomenda-se deixá-las de molho em água morna durante cerca de 24 horas antes da sementeira. Devem ser colocadas superficialmente num substrato leve e bem drenado, mantendo uma temperatura constante entre os 25 °C e os 30 °C e uma boa humidade. A germinação pode ocorrer entre duas e oito semanas, dependendo das condições de cultivo.
Durante o crescimento, a planta necessita de um suporte robusto para orientar os caules. A condução em redes melhora a exposição das folhas à luz, facilita a polinização e simplifica a colheita dos frutos.
As regas devem ser regulares, mantendo o solo fresco sem provocar encharcamentos. Durante os períodos de maior crescimento e frutificação, a planta beneficia de uma disponibilidade constante de água. A fertilização pode ser efetuada com composto orgânico bem decomposto antes da plantação e complementada, quando necessário, com fertilizantes equilibrados ricos em potássio para favorecer a produção de frutos.
A floração ocorre normalmente durante a primavera e o verão, seguindo-se o desenvolvimento dos frutos ao longo dos meses mais quentes. A colheita realiza-se quando os frutos atingem a maturação completa. Tradicionalmente, são secos ao sol ou em estufas de secagem, processo que permite conservar o fruto durante longos períodos e intensificar algumas das suas características.
Na gastronomia asiática, o Fruto-do-Monge é utilizado principalmente na preparação de infusões, bebidas tradicionais, sopas, sobremesas e xaropes. Atualmente, o extrato obtido a partir dos seus frutos é amplamente utilizado como adoçante natural em bebidas, produtos de pastelaria, sobremesas e diversos alimentos processados.
Do ponto de vista nutricional, o fruto contém fibras alimentares, vitamina C em quantidades variáveis, compostos fenólicos, antioxidantes naturais e os característicos mogrosídeos. A composição pode variar de acordo com a variedade cultivada, as condições ambientais e o método de processamento utilizado após a colheita.
Ao longo dos séculos, o Fruto-do-Monge ocupou um lugar importante na alimentação e na tradição chinesa. Muitas das utilizações tradicionais atribuídas ao fruto continuam a ser estudadas pela comunidade científica.
Embora seja uma planta relativamente resistente, o Fruto-do-Monge pode ser atacado por algumas pragas comuns das cucurbitáceas, como pulgões, mosca-branca, ácaros e lagartas. Em ambientes excessivamente húmidos também podem surgir doenças provocadas por fungos, sendo fundamental assegurar uma boa ventilação e evitar o excesso de água.
Uma curiosidade interessante é que a maior parte da produção mundial continua concentrada na China, onde existem regiões especializadas no cultivo desta espécie há centenas de anos. Devido ao crescente interesse por adoçantes de origem vegetal, o Fruto-do-Monge tornou-se uma cultura de elevado valor económico e a sua procura tem aumentado significativamente em diversos mercados internacionais.