Rosa-de-são-francisco – Hibiscus mutabilis

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A Rosa-de-São-Francisco (Hibiscus mutabilis L.) é um arbusto ou pequena árvore ornamental pertencente à família Malvaceae, a mesma família do algodão, da malva, do quiabo e do hibisco-rosa-da-China (Hibiscus rosa-sinensis). É uma espécie originária da China e cultivada há séculos em jardins de todo o mundo devido à beleza das suas flores, ao rápido crescimento e à extraordinária capacidade de mudar de cor ao longo do dia.

O nome específico mutabilis significa "mutável" ou "capaz de mudar", fazendo referência à alteração da cor das flores durante o seu curto período de vida. Esta característica torna a planta particularmente ornamental, sendo comum observar flores brancas, rosadas e vermelhas na mesma planta em simultâneo.

Origem

A Rosa-de-São-Francisco é originária do sul da China, onde cresce naturalmente em regiões de clima quente e húmido. Foi introduzida noutros países asiáticos há vários séculos e, posteriormente, difundida para a Europa, América e outras regiões subtropicais.

Em Portugal adapta-se muito bem às regiões de clima ameno, especialmente ao litoral e ao Algarve, desde que protegida das geadas mais intensas.

Características da planta

O Hibiscus mutabilis apresenta crescimento rápido e forma um arbusto vigoroso ou uma pequena árvore.

Em condições favoráveis pode atingir:

  • 3 a 5 metros de altura;
  • 2 a 4 metros de largura.

Os ramos são robustos e bastante ramificados, formando uma copa arredondada e muito ornamental.

Folhas

As folhas são grandes, verde-intensas e apresentam entre 10 e 20 centímetros de largura.

Possuem cinco a sete lóbulos pouco profundos e uma textura ligeiramente aveludada.

Durante o outono, nas regiões de inverno mais frio, a planta perde completamente a folhagem.

Flores

As flores são o grande destaque da espécie.

Podem medir entre 10 e 15 centímetros de diâmetro, sendo semelhantes às flores de outros hibiscos, mas geralmente maiores.

Existem variedades com flores:

  • simples;
  • semidobradas;
  • totalmente dobradas.

A característica mais impressionante é a mudança de cor.

Normalmente:

  • abrem brancas pela manhã;
  • tornam-se rosa-claro ao longo do dia;
  • terminam o dia em rosa-escuro ou vermelho.

Esta alteração resulta da acumulação de pigmentos (antocianinas), influenciada pela temperatura, pela luz e pelo pH das células das pétalas.

Cada flor dura apenas um dia, mas a planta produz continuamente novos botões durante várias semanas, proporcionando uma floração prolongada.

Floração

A floração ocorre normalmente entre:

  • final do verão;
  • outono.

Em regiões de clima muito ameno pode iniciar-se ainda no final da primavera.

Clima

A Rosa-de-São-Francisco desenvolve-se melhor em:

  • clima subtropical;
  • clima mediterrânico;
  • regiões temperadas quentes.

Prefere temperaturas entre 20 °C e 30 °C.

Tolera pequenas geadas ocasionais, mas temperaturas inferiores a -5 °C podem danificar seriamente a planta.

Solo

Prefere solos:

  • férteis;
  • profundos;
  • ricos em matéria orgânica;
  • bem drenados.

O pH ideal situa-se entre 6,0 e 7,5.

Como semear

As sementes apresentam boa capacidade de germinação.

Antes da sementeira recomenda-se deixar as sementes de molho em água morna durante 12 a 24 horas, o que ajuda a acelerar a germinação.

Devem ser colocadas cerca de 1 centímetro de profundidade num substrato leve e fértil.

A temperatura ideal para germinação situa-se entre 22 °C e 28 °C.

A germinação ocorre normalmente entre 10 e 30 dias.

Plantação

As plantas jovens devem ser instaladas em locais com:

  • bastante sol;
  • boa circulação de ar;
  • espaço suficiente para o desenvolvimento da copa.

O espaçamento recomendado é de cerca de 3 a 4 metros.

Rega

Durante os primeiros anos necessita de regas regulares.

Depois de estabelecida suporta curtos períodos de seca, embora floresça muito melhor quando recebe água de forma regular durante o verão.

Fertilização

A aplicação anual de composto orgânico ou estrume bem curtido favorece o crescimento e a floração.

Durante a primavera pode beneficiar de fertilizantes equilibrados ricos em potássio.

Poda

Tolera muito bem a poda.

A poda de formação e limpeza deve ser realizada no final do inverno, antes do início da rebentação.

Também pode ser conduzida como pequena árvore ornamental.

Utilização

A Rosa-de-São-Francisco é utilizada principalmente como:

  • planta ornamental;
  • exemplar isolado;
  • árvore de pequeno porte;
  • cerca viva florida;
  • planta para jardins tropicais e subtropicais.

As flores atraem numerosas abelhas, borboletas e outros insetos polinizadores.

Valor ornamental

Poucas plantas ornamentais oferecem um espetáculo tão invulgar.

Durante a época de floração é possível observar simultaneamente flores:

  • brancas;
  • rosa-claro;
  • rosa-intenso;
  • vermelhas.

Esta sucessão de cores cria um efeito visual único.

Produção de sementes

Após a floração desenvolvem-se cápsulas que contêm várias sementes castanhas.

As sementes conservam boa viabilidade quando armazenadas em local fresco, seco e protegido da luz.

Pragas e doenças

Embora seja uma planta resistente, pode ocasionalmente ser atacada por:

  • pulgões;
  • mosca-branca;
  • cochonilhas;
  • ácaros.

Em ambientes muito húmidos podem surgir doenças fúngicas, normalmente controladas através de boa ventilação e regas equilibradas.

Curiosidades

A mudança de cor das flores é causada pelo aumento da concentração de antocianinas nas pétalas ao longo do dia. Este fenómeno faz com que cada flor apresente uma aparência diferente desde a abertura até ao final da tarde.

Nos Estados Unidos é conhecida como Confederate Rose, apesar de não pertencer ao género Rosa. O nome surgiu porque a planta era muito cultivada nos estados do sul durante o século XIX.

Em vários países asiáticos simboliza a transformação, a renovação e a beleza efémera, sendo frequentemente cultivada junto de templos e jardins históricos.

Cultivo em Portugal

O Hibiscus mutabilis adapta-se muito bem ao clima português. No litoral e no Algarve pode crescer vigorosamente e produzir florações abundantes. No interior, onde as geadas são mais intensas, recomenda-se o cultivo em locais protegidos ou junto a muros voltados a sul.

Uma vez estabelecida, é uma planta de baixa manutenção e muito resistente, recompensando o jardineiro com centenas de flores todos os anos.

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